2 de setembro de 2020

Viver


 

 A chuva caia forte, os raios caiam incontrolavelmente, o Necromancer estava a caminho. Durlac engoliu seco, segurou o sabre com força, suas mãos tremiam. Lilie olhava pela janela com um olhar firme. Durlac a encara por alguns segundos e percebe o quão decidida ela parecia. Teria ela coragem? Ele ainda não acreditava. Lilie era a maior aliada, a criação do necromancer e ao mesmo tempo, a maior arma contra ele mesmo. Isso fazia sentido? 

 Durlac larga o sabre do chão

 - Precisamos sair daqui agora! - disse ele

 - Eu já falei de que cuido disso - disse Liliane.

 Durlac puxa a moça pelos ombros e a obriga a olhar nos olhos dele;

 - Você não entende, algo não está certo! - disse ele em voz alta - Ele te criou Liliane, seus poderes vieram dele! Qual o sentido dele ter criado a única coisa que pode matá-lo?

Liliane permanece sem reação diante das palavras do amigo.

 - Ele sabe que vai vencer, ele tem uma carta na manga, ele sempre tem! O desgraçado sempre tem um plano! - disse ele.

 Liliane aponta para a janela e mostra a figura sombria do necromancer aproximando-se da entrada princpal, a luz verde dos corpos voltando e todos levantando-se vivos novamente. O caminhar pesado e acelerado do necromancer junto das palavras de Durlac injetam medo na moça, ela começa a recordar dos eventos que aconteceram dentro da mente de Krizalid.

 - Eu acho que... agora é tarde, vamos ter que descobrir qual é o plano dele - disse a moça.

 - Vamos embora! Encontremos Jamiel! Viver para lutar outro dia, é a melhor coisa a se fazer agora! Você é nossa maior esperança! Não se mate e jogue tudo fora! - diz ele puxando-a pelo braço.

 - Não existe lugar que ele não nos encontre, não temos para onde ir!

 - Temos! Não por muito tempo, mas é o melhor que podemos fazer!

 Os passos pesados do necromancer ecoam pelo corredor do prédio.

 - Está bem - disse ela - Para onde?

 Durlac junta as mãos em arco criando uma esfera de luz junto ao rosto - segure-se em mim!

 Liliana coloca a mão no ombro de Durlac e uma explosão de luz acontece revirando todas a sala em que eles se encontravam. Krizalid entra mas já não existia mais ninguém ali. Ele olha para o chão pensativo por alguns segundos e seus olhos começam a brilhar. Conectado ao seu flagelo de mortos ele começa a procurar pelo paradeiro dos fugitivos, onde um de suas marionetes o encontra-se ele saberia.

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